Inicial

03/06/1945 – T

http://www.jkrishnamurti.org/krishnamurti-teachings/view-text.php?tid=181&chid=4536&w=

 

                                                                                     

   2ª palestra em Ojai

Somos confrontados todos os dias com problemas dualistas, problemas que não são teóricos ou filosóficos mas reais, não somos? Verbalmente, emocionalmente, intelectualmente, enfrentamo-los todos os dias; bons e maus, o meu e o teu, coletivismo e individualismo, vir a ser e não vir a ser, mundaneidade e não-mundaneidade, etc; um corredor interminável de opostos em que o pensamento-sentimento se arrasta para trás e para a frente. Resolvem-se estes problemas de ganância e não-ganância, de guerra e de paz dentro do padrão dualista ou o pensamento-sentimento tem que ir acima e para além para encontrar uma resposta permanente? Dentro do padrão da dualidade não há uma resposta duradoura. Cada oposto tem um elemento do seu próprio oposto, e portanto, jamais pode haver uma resposta permanente dentro do conflito dos opostos. Só existe uma resposta permanente, única, fora do padrão.

É importante compreender este problema da dualidade o mais profundamente possível. Não estou a lidar com ele como um assunto abstrato, teórico, mas como um problema da nossa vida e condutas quotidianas. Estamos conscientes que o nosso pensamento é uma luta constante dentro do padrão da dualidade, do bom e do mau, do ser e não-ser, do vosso e do meu, não estamos? Nele há conflito e dor; nele toda a relação é um processo de sofrimento; não há nele esperança, mas tribulações. Ora bem, resolve-se o problema do amor e do ódio dentro do campo do seu próprio conflito, ou tem o pensamento-sentimento que ir acima e para além do seu padrão conhecido?

Para encontrarmos a solução duradoura para o conflito da dualidade e para a dor envolvida na escolha, temos que estar intensamente conscientes, em observação silenciosa da total implicação do conflito. Só então descobriremos que existe um estado em que o conflito da dualidade cessou. Não pode haver integração dos opostos, ganância e não-ganância. Aquele que é ganancioso, quando tenta tornar-se não-ganancioso, continua a ser ganancioso. Não tem ele que abandonar tanto a ganância como a não-ganância para estar acima e para além da influência de ambas? Qualquer devir envolve o não-devir e enquanto houver o vir a ser tem que haver dualidade com o seu interminável conflito.

A cauda da dualidade é o desejo, a ânsia; através da percepção e da sensação e do contato surge o desejo, o prazer, a dor, a carência, a não-carência que por sua vez causam a identificação como meu e teu, e assim o processo dualista é colocado em movimento. Não é este conflito mundaneidade? Enquanto o pensador se separar do seu pensamento, o inútil conflito dos opostos continuará. Enquanto o pensador estiver somente interessado na modificação dos seus pensamentos e não com a transformação fundamental de si mesmo, o conflito e a mágoa continuarão. Está o pensador separado do seu pensamento? Não são o pensador e o seu pensamento um fenomeno inseparável? Porque é que separamos o pensamento do pensador? Não é ele um dos truques astutos da mente para que o pensador possa mudar o seu disfarce de acordo com as circunstâncias, e contudo permanecer o mesmo? Exteriormente há a aparência de mudança,  mas interiormente o pensador continua a ser como é. A ansia de continuidade, de permanência, cria esta divisão entre o pensador e os seus pensamentos. Quando o pensador e o seu pensamento se tornam inseparáveis, só então é transcendida a dualidade. Só então existe a verdadeira experiência religiosa. Só quando o pensador cessa é que há Realidade. Esta unidade inseparável do pensador e seu pensamento é para ser experimentada, mas não para ser especulada. Esta experiência é libertação; há nela uma alegria inexprimível.

Só o pensar correto pode originar a compreensão e o transcender da causa-efeito do processo dualista; quando o pensador e o seu pensamento são integrados através da meditação correta, há então o êxtase do Real.

Interlocutor: Estas guerras monstruosas pedem uma paz durável. Toda a gente fala já e uma terceira guerra mundial. Vê uma possibilidade de evitar a nova catástrofe?

Krishnamurti: Como podemos esperar evitá-la quando os elementos e os valores que causam a guerra continuam? A guerra que ainda agora acabou, produziu uma mudança profunda e fundamental no homem? O imperialismo e a opressão continuam a proliferar, talvez engenhosamente velado; os governos soberanos separados continuam; as nações estão a manobrar-se para novas posições de poder; o poderoso continua a oprimir o fraco; a elite governante continua a explorar os governados. Os conflitos sociais e de classe não cessaram; o preconceito e o ódio ardem em toda a parte. Enquanto os sacerdotes profissionais, com os seus preconceitos organizados justificarem a intolerância, e a liquidação de outros for para o bem do seu país e para a proteção dos seus interesses e ideologias, haverá guerra. Enquanto os valores sensoriais predominarem sobre o valor eterno haverá guerra.

O que você é o mundo é. Se você for nacionalista, patriótico, agressivo, ambicioso, ganancioso, então você é a causa do conflito e da guerra. Se você pertencer a uma qualquer ideologia particular, a um preconceito especializado, mesmo que lhe chame religião, então você será a causa da discórdia e da infelicidade. Se você estiver enredado nos valores sensoriais então haverá ignorância e confusão. Porque aquilo que você é o mundo é; o seu problema é o problema do mundo.

Você mudou fundamentalmente devido à presente catástrofe? Não continua a chamar-se a si próprio um Americano, um Inglês, um Indiano, um Alemão, etc? Não continua a ser ganancioso por posição e poder, por posses e riquezas? A adoração torna-se hipocrisia quando está a cultivar as causas da guerra; as suas orações conduzem-no à ilusão se se permitir entregar-se ao ódio e à mundaneidade. Se não erradicar em si próprio as causas da inimizade, da ambição, da ganância, então os seus deuses são falsos deuses que o conduzirão à infelicidade. Só a boa vontade e a compaixão podem trazer ordem e paz ao mundo e não os planos e as conferências políticas. Você tem que pagar o preço pela paz. Tem que o pagar voluntariamente e com felicidade e o preço é a ausência de luxúria e de malevolência, de mundaneidade e de ignorância, de preconceito e de ódio. Se houvesse uma mudança assim fundamental em si, você poderia ajudar a originar um mundo pacífico e sensato. Para ter paz você tem que ser compassivo e reflexivo.

Pode não ser capaz de evitar a terceira guerra mundial, mas pode libertar o seu coração e a sua mente da violência e das causas que originam a inimizade e impedem o amor. Então neste mundo obscuro haverá alguns que são puros de mente e de coração, e deles talvez possa nascer a semente de uma verdadeira cultura. Purifique o seu coração e a sua mente porque só pela sua vida e ação é que pode haver paz e ordem. Não se perca e não se confunda em organizações, mas permaneça tolamente só e simples. Não procure simplesmente impedir a catástrofe, mas deixe antes que cada um erradique profundamente aquelas causas que geram antagonismo e discórdia.

Interlocutor: Escrevi, tal como sugeriu no ano passado, os meus pensamentos e sentimentos durante vários meses, mas não pareço ir muito longe com isso. Porquê? Que mais hei-de eu fazer?

Krishnamurti: Eu sugeri no ano passado, como um meio para o auto-conhecimento e o pensar correto, que se deveria escrever cada pensamento-sentimento, o agradável bem como o desagradável. Uma pessoa torna-se assim consciente do todo o conteúdo da consciência, dos pensamentos privados e motivos secretos, das intenções e dependências. Assim, através da auto-consciência constante chega o auto-conhecimento, que origina o pensar correto. Porque sem auto-conhecimento não pode haver compreensão. A fonte da compreensão está dentro de nós próprios e não há compreensão do mundo e da relação com ele sem um profundo auto-conhecimento.

O interlocutor quer saber porque é que não é capaz de penetrar dentro dele próprio profundamente, e descobrir o tesouro escondido que reside para além das tentativas superficiais no auto-conhecimento. Para escavar profundamente você tem que ter o instrumento correto, não simplesmente o desejo de escavar. Para cultivar o auto-conhecimento tem que haver capacidade e não um desejo vago dele. Ser e desejar são duas coisas diferentes.

Para cultivar o instrumento correto de percepção, o pensamento tem que cessar de condenar, de rejeitar, de comparar e julgar ou de procurar conforto e segurança. Se condenar ou for gratificado com o que escreveu, então porá um fim ao fluxo do pensamento-sentimento e à compreensão. Se desejar compreender o que outro está a dizer, certamente que tem que escutar sem qualquer ideia preconcebida, sem ser distraído por irrelevâncias. Similarmente, se desejar compreender os seus próprios pensamentos-sentimentos, tem que os observar com imparcialidade bondosa e não com uma atitude de condenação ou aprovação. A identificação impede e perverte o fluxo do pensamento-sentimento; o desinteresse tolerante é essencial para o auto-conhecimento; o auto-conhecimento abre a porta à compreensão profunda e ampla. Mas é difícil estar calmo a respeito de si mesmo, às nossas reações, etc., porque estabelecemos um hábito de auto-condenação. De auto-justificação e é deste hábito que temos que estar conscientes. Através da consciência constante e alerta, não através da rejeição, é que o pensamento se liberta do hábito. Esta ausência não é do tempo mas da compreensão. A compreensão está sempre no presente imediato.

Para cultivar o instrumento correto de percepção não pode haver comparação, porque quando você compara deixa de compreender. Se comparar, aproximar, está a ser apenas competitivo, ambicioso e o seu fim é então o sucesso no qual está inerentemente o fracasso. A comparação implica um padrão de autoridade de acordo com o qual você se mede e se guia. A opressão da autoridade mutila a compreensão. A comparação pode produzir um resultado desejado, mas é um impedimento ao auto-conhecimento. A comparação implica tempo e o tempo não produz compreensão.

Você é um complexo organismo vivo; compreenda-se a si próprio não através da comparação, mas através da percepção do que é, porque o presente é o umbral para o passado e para o futuro. Quando o pensamento está livre de comparação e identificação e da sua carga não-criativa, é então capaz de ser calmo e claro. Este hábito de comparação, como também o hábito da condenação e aprovação, conduz à conformidade, e na conformidade não há compreensão.

O ego não é uma entidade estática mas muito ativa, capacitada de modo alerta nas suas solicitações e persecuções; para seguir e compreender o movimento infindável do ego é necessária uma mente-coração entusiasta, flexível, uma mente capaz de intensa auto-consciência. Para compreender, a mente tem que aprofundar e contudo tem que saber quando estar passiva de modo alerta. Seria insensato e desequilibrado continuar a escavar sem o poder restaurador e curador da passividade. Nós procuramos, analisamos, investigamos dentro de nós, mas é um processo de conflito e dor; não há nele alegria porque estamos a julgar ou a justificar ou a comparar. Não há momentos de consciência silenciosa, de passividade sem escolha. É esta consciência sem escolha, esta passividade criativa que é ainda mais essencial que a auto-observação e a investigação. Tal como os campos são cultivados, semeados, colhidos e lhes é permitido permanecer em repouso, assim temos nós que viver as quatro estações num dia. Se cultivarem, semearem, colherem sem dar descanso ao solo, ele tornar-se-á improdutivo. O período de repouso é tão essencial como o lavrar; quando a terra permanece em repouso os ventos, as chuvas, o sol conferem-lhe produtividade criativa e ele renova-se. Assim tem a mente-coração que estar silenciosa, passiva de modo alerta após as tribulações, para se renovar.

Assim, através da auto-consciência de cada pensamento-sentimento os processos do ego são conhecidos e compreendidos. Esta auto-consciência com a sua auto-observação e passividade alerta traz profundo e amplo auto-conhecimento. Do auto-conhecimento chega o pensar correto; sem o pensar correto não há meditação.

Interlocutor: O problema de ganhar um sustento decente é predominante para a maioria de nós. Uma vez que as correntes economicas do mundo são desesperadamente interdependentes, eu acho que quase tudo o que faço ou explora os outros ou contribui para a causa da guerra. Como uma pessoa que deseja honestamente alcançar os meios corretos de sustento retirar-se das rodas da exploração e da guerra?

Krishnamurti: Para aquele que verdadeiramente deseja encontrar um meio correcto de sustento a vida economica, tal como atualmente organizada, é certamente difícil. Tal como o interlocutor diz, as correntes economicas estão interrelacionadas e portanto é um problema complexo, e como em todos os problemas humanos complexos tem que ser abordado com simplicidade. Como a sociedade está a se tornar cada vez mais complexa e organizada, a arregimentação do pensamento e da ação está a ser imposta pelo bem da eficiência. A eficiência torna-se crueldade quando os valores sensoriais predominam, quando o valor eterno é posto de lado.

Obviamente que há meios errados de sustento. Aquele que ajuda na fabricação de armas e de outros métodos para atar o seu semelhante, está sem dúvida ocupado em promover a violência, o que jamais origina paz no mundo; o político que, quer para o benefício da sua nação ou para o seu próprio benefício ou para o de uma ideologia, está ocupado em governar e explorar outros, está sem dúvida a empregar meios errados de sustento que conduzem à guerra, à infelicidade e ao sofrimento do homem; o sacerdote que se agarra ao preconceito, ao dogma ou a crença especializadas, a uma forma particular de adoração e prece está também a usar meios errados de sustento, porquanto está a espalhar ignorância e intolerância, que coloca homem contra homem. Qualquer profissão que conduza a divisões e conflitos entre os homens e os mantenha é obviamente um meio incorreto de sustento. Tais ocupações conduzem à exploração e à discórdia.

Os nossos meios de sustento são ditados através da tradição ou através da ganância e da ambição, não são? Geralmente não começamos a escolher deliberadamente os meios corretos de sustento. Estamos só demasiado agradecidos por obtermos o que podemos e cegamente seguimos o sistema economico que está à nossa volta. Mas o interlocutor quer saber como retirar-se da exploração e da guerra. Para se retirar delas ele não deve permitir-se ser influenciado, nem seguir a ocupação tradicional, nem deve ser invejoso e ambicioso. Muitos de nós escolhem uma profissão devido à tradição ou porque somos de uma família de advogados ou de soldados ou de políticos ou de comerciantes; ou a nossa avidez de poder e de posição dita a nossa ocupação; a ambição impele-nos a competir e a ser cruéis no nosso desejo de ter êxito. Para que ele não explore ou contribua para a causa da guerra tem que cessar de seguir a tradição, cessar de ser ganancioso, ambicioso, oportunista. Se se abstiver disto naturalmente encontrará a ocupação correta.

Mas embora seja importante e benéfica, a ocupação correta não é um fim em si. Você pode ter um meio correto de sustento, mas se interiormente for insuficiente e pobre você será uma fonte de infelicidade para si próprio e portanto para os outros; você será irrefletido, violento, auto-assertivo. Sem aquela liberdade interior da Realidade você não terá alegria, não terá paz. Unicamente na procura e na descoberta dessa Realidade interior podemos estar não só contentes com pouco, mas conscientes de algo incomensurável. É isto que deve ser procurado primeiro; outras coisas surgirão depois no seu seguimento.

Esta liberdade interior da Realidade criativa não é um dom; é para ser descoberta e experimentada. Não é uma aquisição a ser recolhida para si para se glorificar a si próprio. É um estado de ser, tal como o silêncio, em que não há devir, em que há plenitude. Esta criatividade pode não procurar necessariamente expressão; não é um talento que exige uma manifestação exterior. Não precisa de ser um grande artista nem ter uma audiência; se procurar isso perderá essa Realidade interior. Não é nem um dom, nem é o resultado do talento; este tesouro imperecível é encontrado quando o pensamento se liberta da luxúria, da malevolência e da ignorância; quando o pensamento se liberta da mundaneidade e da ânsia pessoal de ser; experimenta-se através do pensar correto e da meditação. Sem esta liberdade interior da Realidade a existência é dor. Tal como um homem sedento procura água, assim devemos nós procurar. Só a Realidade pode saciar a sede da transitoriedade.

Interlocutor: Sou um fumador inveterado. Tentei várias vezes deixar mas falhei em cada uma delas. Como é que hei-de deixar de fumar de uma vez por todas?

Krishnamurti: Não se esforce por deixar; como em tantos hábitos a mera luta contra eles só os fortalece. Compreenda todo o problema do hábito, o mental, o emocional e o físico. O hábito é irreflexão e lutar contra a irreflexão pela ignorância determinada é inútil, é estúpido. Você tem que compreender o processo do hábito através da consciência das rotinas da mente e das reações emocionais habituais. Compreendendo as questões mais profundas do hábito as superficiais desaparecem. Sem compreender as causas mais profundas do hábito, suponha que você é capaz de dominar o hábito de fumar ou qualquer outro hábito, você continuará a ser como é, irrefletido, vazio, um joguete do meio.

Como abandonar um hábito particular não é certamente a questão principal porque estão envolvidas coisas muito mais profundas. Nenhum problema pode ser resolvido ao seu próprio nível. É algum problema resolvido dentro do padrão dos opostos? Obviamente há conflito dentro do padrão mas resolve este conflito o problema? Não tem que sair do padrão do conflito para encontrar uma resposta duradoura? A luta contra o hábito não resulta necessariamente no seu abandono, outros hábitos podem ser desenvolvidos ou substituídos. A luta para simplesmente dominar os hábitos, sem desvelar o seu profundo significado, torna a mente-coração irrefletida, superficial, insensível. Tal como com a ira, com os exércitos, o conflito esgota-se, e nenhuma questão capital é resolvida. De modo similar o conflito entre opostos somente embota a mente-coração e é este embotamento que impede a compreensão do problema. Veja por favor a importância disto. O conflito entre dois desejos opostos tem que acabar em fadiga, em irreflexão.

É esta irreflexão que tem que ser considerada, não o mero abandono de um hábito ou conflito. O abandono de um hábito seguir-se-á naturalmente se houver reflexão, se houver sensibilidade. Esta sensibilidade é embotada, endurecida, pela luta constante dos desejos opostos. Portanto se quiser fumar, fume; mas esteja intensamente consciente de todas as implicações do hábito: irreflexão, dependência, solidão, medo, etc. Não lute simplesmente contra o hábito mas esteja consciente do seu pleno significado.

É considerado inteligente estar no conflito dos opostos; pensa-se que a luta entre o bem e o mal, entre o coletivismo e o individualismo, é necessária para o crescimento do homem; o conflito entre Deus e o Diabo é aceito como um processo inevitável. Conduz este conflito entre os opostos à Realidade? Não conduz à ignorância e à ilusão? Transcende-se o mal pelo seu oposto? Não tem o pensamento que estar acima e para além do conflito de ambos? Este conflito dos opostos não conduz à retidão, à compreensão; conduz ao aborrecimento, à irreflexão, à insensibilidade. Talvez o criminoso, o pecador possa estar mais perto da compreensão que o homem que está auto-satisfeito na sua luta auto-suficiente dos desejos opostos. O criminoso poderia estar consciente do seu crime portanto há esperança para ele, ao passo que o homem em conflito auto-satisfatório dos opostos está simplesmente perdido na sua própria ambição mesquinha de vir a ser. Um é vulnerável enquanto que o outro está enclausurado, endurecido pelo seu conflito; um é ainda susceptível, enquanto que o outro se tornou insensível através do conflito e da dor da luta constante para vir a ser.

Não se perca no conflito e na dor dos opostos. Não compare nem se esforce para se tornar o oposto daquilo que você é. Seja completo, consciente sem escolha do que é, do seu hábito, do seu medo, da sua tendência e nesta única chama da consciência aquilo que é, é transformado. Esta transformação não está dentro do padrão da dualidade; é fundamental, criativa, com o fôlego da realidade. Nesta chama da consciência todos os problemas são finalmente resolvidos. Sem esta transformação a vida é uma luta, é dor e não há alegria, não há paz.

03/06/1945.

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: