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11/03/1935 – T

http://www.jkrishnamurti.org/krishnamurti-teachings/view-text.php?tid=91&chid=4451&w= 

Primeira Palestra no Town Hall

New York,

Amigos,

Muitos de nós estamos tentando resolver nossas várias dificuldades e problemas dentro da distinção artificial que criamos entre o grupo e o indivíduo. Ora, para mim, tal distinção com o indivíduo oposto ao grupo perverte e destrói a clareza do pensamento, e tal perversão leva, naturalmente, a muitas repressões e exageros entre o indivíduo e o grupo.

Como procuramos por caminhos e meios para sair deste caos, métodos e soluções engenhosas e complicadas são oferecidas, e cada indivíduo escolhe a solução segundo sua idiossincrasia particular, dependendo de sua formação social e suas fantasias religiosas.

Eu não quero acrescentar nenhuma nova teoria ou explicação a estas já existentes. Para mim, a solução verdadeira para nossos problemas está na inteligência, que deve ser direta, simples; quando existe tal inteligência podemos então compreender a vida como um todo.

Ora, esta inteligência não vai ser despertada por seguirmos algum sistema ou algum grupo, ou por obedecermos às idiossincrasias e fantasias particulares de alguém. Para despertar a verdadeira inteligência devemos primeiro investigar as muitas coisas estúpidas que atrofiam a mente e o coração, e não buscarmos uma definição de inteligência porque, quando descobrirmos quais são as coisas estúpidas e libertarmos nossa mente delas, através da constante vigilância, seremos então capazes de saber por nós mesmos o que é a verdadeira inteligência.

Descobrindo por nós mesmos as limitações que o ambiente nos colocou e discernindo sua verdadeira significação e, assim, descartando as coisas estúpidas, poderemos começar a perceber o que é a verdadeira inteligência. A expressão dessa inteligência na ação é imortalidade; é a bem-aventurança de viver no presente.

Vocês têm muitas ideias em relação à plenitude da vida e a imortalidade. Mas, para mim, esta imortalidade, esta riqueza, esta plenitude de vida só pode ser compreendida e vivida quando a mente está completamente livre das limitações, das coisas estúpidas, que o ambiente, passado e presente, herdado ou adquirido, está continuamente nos colocando.

Assim, por favor, se me permitem, não esperem de mim novas explicações durante esta palestra, um novo conjunto de fórmulas e definições. Tais explicações e fórmulas oferecem apenas meios de fugir ao conflito. A maioria das mentes deseja copiar, imitar, seguir, porque não podem pensar por elas mesmas, ou então o conflito é tão intenso que preferem fugir através de sistemas, através de definições, de explicações. Só estando continuamente cônscio do ambiente e da imposição de sua sempre crescente estupidez, só questionando estas coisas continuamente, é que paramos de fugir e ficamos face a face com o conflito, o que nos dá a capacidade de compreender o ambiente inteligentemente.

O que quero explicar durante esta palestra é como criamos as coisas estúpidas; sem compreender esta criação contínua, inconsciente, a mera investigação do que é inteligência nos concede nada mais do que outra fuga. Então, toda nossa investigação deve ser direcionada para o que é estupidez e sua causa, e não para o que é inteligência.

Como eu disse, até tentarmos libertar a mente daquelas coisas estúpidas que o ambiente, passado e presente, criou a nossa volta, e que atrofiam nossa ação, até as percebermos e compreendermos sua verdadeira significação, até então nossa investigação da inteligência é fútil. O propósito de minha palestra é ajudá-los a descobrir quais são as coisas estúpidas e como se libertar delas.

Ora, cada especialista, cada autoridade, cada seita, cada partido oferece uma saída deste crescente conflito que nós sabemos que existe. Todos apresentam uma ideia, uma teoria, um método para a solução deste terrível emaranhado. Podemos dividir, eu acho, estes teóricos, ou as pessoas que dão explicações, em dois tipos: aqueles que se voltam para o exterior e aqueles que se voltam para o interior.

 

O homem que se volta para fora diz que todos os problemas humanos podem ser resolvidos com o controle do ambiente. Ou seja, ele afirma que o pensamento humano pode ser mudado, alterado, controlado pela organização, seja do trabalho ou dos meios de produção e distribuição, e por aí vai. Ele considera o homem como barro, para ser condicionado pelo ambiente, e assim, pelo controle do ambiente e aperfeiçoamento do grupo, o indivíduo terá uma oportunidade de se expressar. Ou seja, ele não vai mais ser anti-social porque, sendo simples barro a ser condicionado, seu ambiente pode ser controlado e, também, suas ambições, sua perspectiva, seus desejos nunca estarão em oposição ao grupo e serão anti-sociais. O homem será, então, condicionado segundo um novo conjunto de ideias e teorias de modo que, como indivíduo, nunca entre em conflito com o grupo ou com a sociedade.

Se você pensa que esse homem não é nada mais que matéria a ser condicionada, ser moldada, ser controlada, então não há nada mais a ser dito. Então a vida é muito simples. Vamos todos nós, então, trabalhar para a simples perfeição do ambiente, seguindo certo conjunto de teorias e ideias, e ser condicionados por elas.

Ora, eu não sou contra ou a favor deste ponto de vista. Quero examiná-lo mais completamente. Se o homem é meramente uma entidade social, e se alterando circunstâncias e ambiente e criando nele o hábito de buscar apenas o bem estar do grupo, de modo que ele não vá ser anti-social – se isso é tudo, então, me parece, a vida se torna muito superficial, uma série de ações não-realizadas, superficiais.

Também, você tem o homem que se volta para o interior, que diz que a vida não é nada além do espírito. Deixe isto, ele diz, para o mais elevado no homem e deixe-o seguir esse mais elevado, como é mostrado pelos mestres, pelos vários sistemas filosóficos; deixe que ele se torne mais religioso, deixe-o seguir grandes líderes, deixe que ele tenha disciplina, entre em organizações espirituais e obedeça à autoridade espiritual, e seja guiado pelo medo, de modo que finalmente domine as circunstâncias, o ambiente.

Assim você tem os exageros do homem voltado para o exterior e do homem voltado para o interior – a pessoa que diz que o homem não é nada além de barro e, por isso, é para ser condicionado; e o outro, o homem voltado para dentro, o chamado homem espiritual, que insiste primeiro na mudança no coração.

Então você tem estes dois tipos. A ênfase ou exagero de um ou outro destrói seu próprio fim. O homem que diz primeiro o ambiente e o homem que diz primeiro o espírito, cada um com seus exageros e falsa ênfase, destruíram seus próprios fins. Por outro lado, para mim, a solução, ou antes, a maneira de pensamento, o verdadeiro despertar da inteligência, que pode resolver sozinho os inumeráveis conflitos e problemas, sociais e individuais, está no perfeito equilíbrio entre os dois, além e acima dos dois, e esse equilíbrio é o caminho simples e direto.

Estudar os vários sistemas filosóficos bem como econômicos, estudá-los todos completamente, de modo a ser capaz de compará-los, requer grande esforço, e poucos têm o tempo, a capacidade, ou a inclinação para penetrar em seus complicados raciocínios e teorias. E o que acontece quando você não tem tempo para examinar as explicações de inumeráveis especialistas concorrentes? Você escolhe um de que gosta, que você considera razoável; e como você não tem o tempo para examinar seu sistema completamente, simplesmente aceita sua autoridade. Quanto maior o especialista, maior a autoridade, maior o seguidor.

Assim, gradualmente os seguidores ficam cegos e simplesmente aceitam dogmas, e os líderes destroem os seguidores, e os seguidores por seu lado destroem os líderes. Gradualmente criamos um novo conjunto de coisas estúpidas baseado em novo conjunto de dogmas que eram, originalmente, teorias, e nos tornamos escravos delas.

Agora, para mim, teorias são de pouco valor; porque um homem que está constantemente em conflito com o ambiente, o passado como o presente, está continuamente discernindo, penetrando, tentando compreender, e assim, está vivendo completamente no presente. Para tal homem não há necessidade de teorias ou explicações. Mas isso requer grande persistência de pensamento, grande consciência, grande penetração no verdadeiro significado do ambiente sempre mudando. Como a maioria das pessoas não pode fazer isso, elas aceitam teorias, que se tornam seus senhores, fatos, realidades.

Naturalmente, isto também se aplica aos especialistas religiosos que consideramos como nossos guias espirituais. Agora considere a religião, isto é, a religião como crença organizada, e você verá que a autoridade do especialista é suprema. O padrão é estabelecido e você é forçado pela pressão da opinião pública, pelo medo, e por aí vai, a seguir. Esta adoração da autoridade, esta adoração do especialista sem conhecer suas limitações é, para mim, a própria origem da exploração.

Assim, todo o processo de viver, que deveria ser uma contínua realização e, portanto, uma contínua penetração na realidade, no que é verdadeiro, é completamente destruída por esta adoração da autoridade, dos especialistas, de credos, de teorias. O processo todo é tornar o indivíduo subserviente, fazê-lo obedecer e seguir. E ele gradualmente se torna inconsciente de tudo fora do padrão, e ele existe como pode dentro das leis desse padrão, e chama isso de viver. O ambiente se torna apenas o molde para ajustá-lo. Assim, então, o indivíduo, como ele é hoje, não é nada mais do que a expressão exagerada do ambiente, sendo ambiente o passado e o presente, o herdado e o adquirido.

Para mim, isto não é verdadeira individualidade. Pela compreensão do significado do ambiente, passado e presente, e estando, portanto, livre dele, a inteligência é despertada, e a expressão dessa inteligência é verdadeira individualidade.

Hoje você está condicionado pelo ambiente. Você é o resultado de seu ambiente passado e presente, e o que você expressa, chamando de individualidade ou auto-expressão, não é nada além do que a expressão desse ambiente condicionado. Para mim, a verdadeira expressão da individualidade é essa inteligência que é despertada pela libertação da mente do ambiente condicionado do passado e do presente.

A próxima coisa que temos que descobrir é se algum sistema pode nos ajudar a despertar esta inteligência. Ou ele simplesmente impõe outro conjunto de coisas estúpidas, mais limitações? Porque, se pudermos encontrar um sistema perfeito, então podemos nos entregar a ele e nos tornar inteligentes.

Para mim, sistemas não são mais do que a cristalização do pensamento, e o grupo não é mais do que a expressão desse pensamento. Podem eles, estes pensamentos cristalizados, ao segui-los, despertar a inteligência? Ou você tem que começar, não considerando a si mesmo como um indivíduo, ou como um grupo, a discernir por si mesmo as coisas estúpidas criadas pela falsa divisão do grupo e do indivíduo? Ou seja, não considerar a si mesmo como um individuo ou como grupo, pensar de uma nova maneira, pensar desde o início de modo a ser capaz de captar o verdadeiro significado de cada ambiente, de cada limitação. Porque, se não pudermos ser tão ativos emocionalmente e mentalmente, não considerando um sistema, a simples submissão, ou a atuação nele não desperta a inteligência.

Ora, tal inteligência, quando é despertada, pode realmente cooperar, não com coisas estúpidas, mas com outras inteligências. Pegue, por exemplo, o que acontece com relação à guerra. Para compreender a totalidade da questão da guerra, devemos pensar desde o início, não do ponto de vista nacionalista, racial ou classista. A guerra é inerentemente errada. Não há desculpa para a guerra enquanto a inteligência está funcionando. Mas, como na maioria somos regidos por políticos, exploradores, e por tal tipo, somos forçados a uma guerra depois de outra, e muitas razões são dadas para a inevitabilidade e a necessidade das guerras.

Enquanto você não pensa claramente, fundamentalmente, desde o início, em relação a esta questão, um dia você será a favor da paz e no dia seguinte será a favor da guerra, porque não descobriu por si mesmo fundamentalmente as apavorantes crueldades, os ódios raciais, as explorações que criam a guerra. Só quando houver uma inteligência desperta, não só de sua parte, mas da parte dos políticos, dos legisladores, haverá paz.

Para descobrir o que é verdadeiro, é preciso grande inteligência. Inteligência, para mim, não é conhecimento dos livros. Você pode ser muito estudado e, contudo, ser estúpido. Pode ter lido muitas filosofias e, contudo, não conhecer a alegria do pensar criativo, que só pode acontecer quando a mente e o coração começam a se libertar pelo conflito, pela constante vigilância, das coisas estúpidas do passado e daquelas que estão sendo construídas. Só então existe o êxtase daquilo que é verdadeiro.

Pode alguém mais lhe contar o que é verdadeiro? Pode alguém lhe dizer o que é Deus? Ninguém pode: você mesmo tem que descobrir. Assim, para descobrir o que é verdadeiro, qual é o significado da vida, o que é imortalidade – sem o que a vida se torna uma caótica trivialidade, um sofrimento sem sentido, cego – você deve ter inteligência; e para despertar essa inteligência você deve despir a mente e o coração da estupidez.

A primeira causa da estupidez é essa consciência que se prende ao particular e, portanto, cria a distinção entre o grupo e si mesma, essa consciência cuja própria essência é o pensamento de ganância, do “meu”. Esta consciência limitada é a própria origem e causa da estupidez, do sofrimento. Uma de suas manifestações é o constante anseio por segurança, segurança no âmbito do próprio ser da pessoa, fisicamente, emocionalmente, e mentalmente. Na busca dessa segurança está implícito haver conflito entre o que chamamos o indivíduo e o grupo, os exageros do indivíduo contra o grupo, levando a atrito constante, luta e sofrimento.

Você pode ver que esta busca por segurança física se expressa em posses, com todas as suas crueldades, explorações, e as terríveis coisas estúpidas como nacionalismo, luta de classes, ódio racial. Também, emocionalmente, o amor se tornou possessividade. Ele perdeu seu êxtase criativo. Ele é uma série de conflitos possessivos. Sua ternura, sua grande profundidade, sua qualidade eterna, seu profundo êxtase são destruídos por este desejo de posse. E então há este anseio mental de certeza. Por isso existe a adoração da autoridade, a adoração de mestres. Por isso a incessante demanda pela conclusão, de modo que sua mente possa se prender a ela. Por isso sua constante indagação sobre verdade, sobre Deus; e o homem que lhe assegura da certeza de Deus, da verdade, da imortalidade, você adora já que ele lhe dá conforto, segurança.

Gradualmente esta exigência por segurança destrói a inteligência. A mente, pela experiência, acumula e guarda cuidadosamente seguranças autodefensivas, memórias, que impedem o ajustamento ao eterno movimento da vida.

A experiência, na maior parte do tempo, fica criando seguranças, memórias autodefensivas, e com esta barreira você encontra a vida, o que inevitavelmente traz conflito e sofrimento. Isto não significa que você deve esquecer o passado. O que quero explicar é isso, como fisicamente buscamos segurança, do mesmo modo mentalmente buscamos sair da incerteza para a certeza, que por outro lado se torna incerteza, onde nunca existe um momento de completa, inescapável solidão.

Eu lhes asseguro que quando há completo despojamento, total desesperança, nesse momento de vital insegurança nasce a chama da suprema inteligência, a alegria da verdade. Na busca por segurança surge o medo, que gera muitas ilusões, falsas disciplinas, repressões, perversões, o medo da morte e a inquirição do que vem depois.

Por que tantos estão interessados no que vem depois? Porque a vida aqui é muito superficial, muito condicionada pelo ambiente, muito conflituosa, caótica, irracional, sem alegria, sem êxtase; por isso eles olham para o futuro, e daí vem a inquirição sobre o que vem depois.

Imortalidade é um constante tornar-se, não dessa consciência que chamamos de “Eu”, mas daquela inteligência que está liberta do particular bem como do grupo, dessa consciência que cria distinções. Ou seja, quando a mente está despida de toda ilusão ou ignorância, ela é capaz de discernir o presente infinito. É uma coisa que você não pode explicar, não pode racionalizar. Está além de qualquer argumento. Tem que ser experimentada. Tem que ser vivida. Exige grande persistência e constante determinação.

Ora, este me parece ser o estado do mundo. O caos causado pelo conflito de muitas teorias leva a práticas estúpidas e divisões; e, conforme o tempo passa, vamos meramente acumulando conhecimento de teorias, crescentes divisões amargas, criando movimentos de massa para experimentos conflitantes, e neste conflito em que estamos imersos, a inteligência, que é a verdadeira expressão e modo de vida, fica completamente esquecida.

Este é o estado do mundo a nossa volta. Qual deveria ser nossa ação? Qual seria nossa atitude, nosso pensamento? Vocês vão esperar pela perfeição do ambiente através da revolução, através de mudanças econômicas, através da elevação política? Esta espera não é mais do que fuga, este olhar para o futuro não é mais do que outra fuga através da esperança, é um adiamento. Ou, vocês, não se considerando como indivíduos ou grupos começarão a pensar de novo, desde o início – afastando assim as muitas coisas estúpidas que se tornaram virtudes, as muitas coisas que vocês tomaram como garantidas, aceitas – de modo que na verdadeira simplicidade e direção do pensamento, que é suprema inteligência, pode haver a fruição da ação? O que vocês vão fazer: esperar pelo futuro, desejando que o ambiente fique perfeito através de um milagre, através da ação de alguma outra pessoa; ou vão ficar intensamente conscientes, através de seu próprio conflito com o ambiente onde não há possibilidade de fugir, que existe integralidade de ação?

Para a maioria das pessoas este é o problema: simplesmente esperar, marcar tempo ou ser capaz de discernir o verdadeiro significado da vida com seus conflitos e sofrimentos – e não criar um novo conjunto de coisas estúpidas, um novo conjunto de ilusões – e, consequentemente, viver direta e simplesmente. Um leva à completa desordem, superficialidade, aborrecimento, a vidas muito superficiais que a maioria das pessoas leva, seja na intensidade de trabalho ou na falta de trabalho; o outro, ao êxtase da imortalidade.

Em todo lugar há um desespero, esperar por alguma ação, esperar que os governos mudem as condições. E, nesse meio tempo, suas próprias vidas se tornam mais e mais superficiais, rasteiras, com todas as futilidades da sociedade moderna e as futilidades das assim chamadas pessoas espirituais.

Como eu disse no início de minha palestra, a inteligência é a única solução que produzirá harmonia neste mundo de conflito, harmonia entre mente e coração em ação. Nenhum sistema, a simples alteração do ambiente não vai libertar o homem da ignorância e da ilusão, que são as causas do sofrimento. Você mesmo, por sua própria conscientização, sua própria integralidade, pode discernir a verdadeira significação destas muitas barreiras limitadoras. Só isto produzirá inteligência duradoura, que revelará a imortalidade.

11 de março de 1935

 

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