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03/05/1936 – T

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Quinta Palestra em Oak Grove

Desejo explicar uma ideia esta manhã, e se conseguirmos compreende-la, não muito como um fato, mas profundamente e significativamente, penso que então terá um valor profundo nas nossas vidas. Por isso, por favor, ajudem-me pensando comigo.

A maioria de nós criou um conceito da realidade, da imortalidade, de algo constante, eterno. Temos uma inclinação vaga para procurar o que chamamos de Deus, verdade, perfeição, e estamos constantemente nos esforçando para realizar esses ideais, essas concepções. Para nos ajudar a atingir esses objetivos, temos sistemas, modos de conduta, disciplinas, meditações, e várias extrategias. Essas incluem a parafernália das igrejas, cerimônias, e outras formas de adoração, e supomos que todas elas nos ajudarão a realizar essas concepções da realidade que criamos para nós mesmos. Então, colocamos em movimento o processo do querer.

Agora, existe em nós um desejo perpétuo, um contínuo esforço por satisfação, que chamamos de realidade. Tentamos moldar-nos a um padrão, de acordo com um sistema de conduta, de comportamento, que nos promete dar a compreensão satisfatória do que chamamos realidade, felicidade.

Este querer é bastante diferente da busca. Querer indica um vazio, um tentar se tornar alguma coisa, enquanto a verdadeira busca leva a uma compreensão profunda. Antes de podermos entender o que é verdade, realidade, ou saber se há tal coisa, devemos discernir o que é que está constantemente buscando. O que é que está sempre no movimento do querer? O que é que está sempre desejando, buscando realização? A menos que tenhamos compreendido isto, o querer é um processo interminável que impede o verdadeiro discernimento; é um contínuo esforço sem compreensão, uma obediência cega, um medo incessante com suas muitas ilusões.

Então, a questão não é, o que é realidade, Deus, imortalidade, e se uma pessoa deve acreditar nisso ou não, mas o que é a coisa que está se esforçando, querendo, temendo, e desejando? O que é e por que ela quer? Qual é o centro no qual este querer tem seu ser? O que é a consciência, a concepção da qual começamos e na qual temos o nosso ser? A partir daqui, devemos iniciar nossa investigação. Vou tentar explicar este processo do querer, que cria a sua própria prisão de ignorância; e, por favor, cruzem a ponte das palavras, pelo que a mera repetição das minhas frases pode não ter qualquer significado duradouro.

Esta coisa que continuamente quer é a consciência que se tornou perceptível como o indivíduo. Isto é, há um ‘Eu’ que quer. O que é o ‘Eu’? Há uma energia que se autossustenta, uma força que, através de seu desenvolvimento, se torna consciência. Esta energia ou força é única a cada ser vivo. Esta consciência torna-se perceptível ao indivíduo através dos sentidos. Ela, de uma só vez, se auto mantém e se auto energiza, se posso usar essas palavras. Isto é, ela não só se mantém, suportando a si mesma através de sua própria ignorância, tendências, reações, desejos, mas também, por meio deste processo, ela está armazenando suas próprias energias potenciais; e este processo pode ser completamente compreendido pelo indivíduo somente no seu discernimento desperto.

Você vê algo que é atrativo, você quer, e você o possui. Portanto, estabelece-se este processo de percepção, desejo, e aquisição. Este processo é sempre auto sustentador. Há uma percepção voluntária, uma atração ou repulsão, um agarrar ou um rejeitar. O processo do ‘Eu’ é, portanto, auto ativo. Isto é, ele não só está se expandindo através de seus próprios desejos voluntários e ações, mas ele está se mantendo através de sua própria ignorância, tendências, vontades, e desejos. A chama se mantém através de seu próprio calor, e o calor, em si mesmo, é a chama. Agora, exatamente da mesma forma, o processo do ‘Eu’ se mantém através da vontade, tendências, e ignorância. E, ainda assim, o próprio ‘Eu’ é vontade. O material para a chama pode ser uma vela ou um pedaço de madeira, e o material para o processo do ‘Eu’ é a sensação, consciência. Este processo não tem início, e é único a cada indivíduo. Experimentem isto, e vocês irão discernir, por vós mesmos, quão real, quão verdadeiro é. Não há outra coisa que não o ‘Eu’; esse ‘Eu’ não esconde nada, nenhuma realidade. Ele mesmo é e se mantém continuamente através de suas próprias demandas e atividades voluntárias.

Então, este processo, este processo contínuo de querer, cria a sua própria confusão, sofrimentos, e ignorância. Onde há um querer, não pode haver discernimento. Isso é muito simples, se alguém pensar sobre. Você almeja felicidade. Você procura os meios de a conseguir. Alguém lhe oferece os meios. Agora, sua mente e seu coração estão tão cegos pelo desejo intenso por felicidade, que são incapazes de discernimento. Embora você possa pensar que está examinando e analisando os meios que lhe são oferecidos, esta ânsia profunda por satisfação, felicidade, segurança, impede clareza de compreensão. Portanto, onde há um querer, não pode haver verdadeiro discernimento.

Através do querer, criamos confusão, ignorância e sofrimento, e então, colocamos em movimento o processo de fuga. Chamamos esta fuga de busca pela realidade. Você diz, “quero encontrar Deus, quero atingir a verdade, libertação, busco a imortalidade”. Você nunca questiona o que é o ‘Eu’ que está buscando. Você tomou como garantido que o ‘Eu’ é algo durável, uma coisa em si mesma, e que ele é criado por alguma entidade suprema. Se você examina profundamente, você discernirá que o ‘Eu’ nada é senão ignorância, tendências, e desejos auto acumulados, e que ele não esconde nada em si mesmo.

Uma vez que tenha compreendido profundamente isto, você nunca perguntará, “Devo me livrar de todas as minhas vontades? Não devo ter crenças? Não devo ter ideais? Não devo ter desejos? É errado ter qualquer desejo?”. Compreender todo este processo do ‘Eu’ requer, da vossa parte, pensamento real e penetração profunda através do discernimento. Se você compreender o surgir, o vir a ser da consciência através da sensação, do querer, e ver que, da consciência nasce a unidade chamada de ‘Eu’ que, em si mesma, não esconde qualquer realidade, então, despertará para a natureza deste círculo vicioso. Quando existe um entendimento de seu significado, então há uma nova compreensão, uma coisa nova que é livre do querer, do desejo, da ignorância. Então, você pode viver neste mundo inteligentemente, sensatamente, em profunda satisfação, e ainda assim, não ser do mundo. A confusão surge apenas quando você é incapaz de ser endireitado, devido às suas concepções, ideais e crenças fantásticas e prejudiciais.

Se conseguir compreender profundamente este processo auto sustentador de ignorância, que dá uma solidez ao ‘Eu’, do qual surge toda a confusão e sofrimento, então a vida pode ser vivida completamente, sem as várias fugas e buscas sutis que, sem saber, você criou para si mesmo. Então, surge aquela coisa extraordinária, uma plenitude, uma felicidade. Mas antes de isto acontecer, deve haver um profundo entendimento do processo do ‘Eu’; a menos que haja esta compreensão, o processo do ‘Eu’ está sempre criando uma dualidade em si mesmo, através do querer. Quando há discernimento, então a busca da virtude, a tentativa de se unificar a uma realidade, a Deus, perde o seu significado. Para discernir este processo, não pode haver a aceitação de qualquer crença, não pode haver a busca de qualquer ideal, ou o moldar-se de acordo com um padrão de conduta. Você deve discernir, por você mesmo, profundamente e significativamente, a causa desta miséria, confusão, e ignorância, por meio do aparecimento do processo do ‘Eu’. Então, desponta uma felicidade que não tem palavras para a medir.

Interrogante: Nos laços do relacionamento, uma pessoa pode ser compelida a fazer algo que não quer fazer, pela própria natureza do relacionamento. Você pensa que alguém pode viver completamente em tais laços?

Krishnamurti: Antes de podermos compreender o que é viver completamente, deixe-nos descobrir o que queremos dizer com relacionamento. Relacionamento é moralidade. Relacionamento implica um contato vivo, quer seja com uma ou com mais pessoas. Este relacionamento, esta moralidade, torna-se impossível quando nós, como indivíduos, somos incapazes de flexibilidade. Isto é, se alguém é limitado – limitado pela ignorância, tendências, várias formas de aquisição e querer – há uma barreira, um obstáculo, que impede o contato vivo com o outro. Como o outro também tem as mesmas limitações, o verdadeiro relacionamento torna-se quase impossível. Uma vez que não há este contato vivo, nós criamos um modo de conduta que chamamos de moralidade, e tentamos forçar o nosso comportamento a essa moralidade, a esse padrão. Se entendermos o relacionamento como a compreensão verdadeira, profunda de si mesmo, então damos à moralidade, ao relacionamento, um sentido muito diferente.

A maioria de nós pensa que deve haver códigos, sistemas, disciplinas para a moralidade. Eles podem ser necessários para aqueles que são incapazes de pensamento profundo, mas ninguém pode julgar quem é incapaz. Não diga, esta e aquela pessoa precisa de um código de disciplina; a pessoa tem de descobrir, por si mesma, esta moralidade ativa, este relacionamento ativo, e isso exige flexibilidade profunda, criativa, que pode ser experimentada apenas quando as limitações individuais são profundamente discernidas e suas causas compreendidas. Quando a sua vida é uma de aquisição e querer, então deve haver uma tensão contínua com o outro, que é também aquisitivo, e isto impede o verdadeiro relacionamento, quer seja entre indivíduos ou nações. E esta tensão leva a conflitos, guerras, e às muitas formas grosseiras e sutis de exploração.

Se você está consciente de suas próprias demandas particulares, as muitas formas de aquisição, e portanto, compreende o processo de ignorância auto ativo, então não mais há um escolher, uma recusa, um rejeitar, mas esses próprios desejos e vontades se desgastam, eles caem como folhas no outono. Então, pode haver verdadeiro relacionamento, no qual não mais há a constante luta para se ajustar ao outro.

Interrogante: Meditando no Mestre, alguém pode perceber a felicidade da união consciente com ele. Nesse estado, todo o senso do eu desaparece. Não é isto de grande valor em quebrar as limitações do ego?

Krishnamurti: Certamente não. Nunca pode ser. A questão é erradamente colocada. Deixe-nos entrar nela. Primeiro, deixe-nos entender o que você quer dizer por Mestre. Infelizmente, um grande número de livros foram escritos sobre Mestres, iniciações, e discipulado, e muitas supostas sociedades espirituais foram formadas em torno de tudo isto. Existem muitos swamis e yogis, que encorajam e cultivam todas essas concepções. Vocês, que estão buscando satisfação, que chamam de felicidade, verdade, tornam-se as ferramentas deles, e são explorados por esses instrutores, líderes, e suas sociedades.

Um Mestre pode ser um conceito ou uma realidade. Se é um conceito, uma teoria, nunca se pode tornar dogmático. Então, está aberto à especulação, a ser discutido do ponto de vista do que é chamado de evolução. Portanto, deve permanecer abstrato, e nunca pode ser usado como uma realidade para favorecer certas atividades, ações, modos de conduta. Sendo uma abstração, não tem a estimulação do medo, como recompensa e punição. Mas isto não é assim com aqueles que falam sobre os Mestres e seu trabalho. Eles confundem os dois, o abstrato e o real. Num momento, eles falam sobre a ideia abstrata de Mestres, e no seguinte, eles fazem-nos reais ao dizer-vos, os seguidores, o que os Mestres desejam que vocês pensem e façam. Então, vocês são apanhados na confusão e, curiosamente, é a vossa própria vontade que cria esta confusão. Este processo de tornar os Mestres entidades reais vem devagar, através de dicas e mensagens, até que vocês acreditam que os vossos líderes realmente encontraram os Mestres, e que esses seres lhes disseram como salvar a humanidade; e vocês, pela tão chamada devoção, que é realmente medo, seguem os líderes e são explorados. Portanto, há uma constante mistura do conceitual com o concreto.

Quem é que julga o que é um Mestre? Para alguns, Mestre é uma pessoa que possui poderes extraordinários, e para outros, ele pode ser alguém que revela algum conhecimento especial. Mas sabedoria não é percebida através de outro, seja através de um Mestre ou através de um cientista. Vocês estão julgando alguém como um Mestre, de acordo com vossas próprias idiossincrasias, preconceitos, e tendências particulares. Isto deve ser assim, mesmo com aqueles que supostamente representam os Mestres. As pessoas estão sempre julgando outras, quer se chamem Mestres ou vizinhos, de acordo com seu pano de fundo peculiar. Vocês nunca questionam a carga do passado da pessoa que diz que representa os Mestres, que ela é sua mensageira, porque estão buscando felicidade, e meramente querem ser guiados, que lhes digam exatamente o que fazer. Então, obedecem por meio do medo, que chamam de amor, intuição, escolha voluntária, ou lealdade. Vocês pensam que examinaram, analisaram, entenderam, e que intuitivamente concordam com o que os seus líderes particulares dizem. Mas não podem verdadeiramente discernir, pois estão sendo conduzidos, infelizmente, pessoas neste país, e noutros lugares, caem nesta armadilha de exploração.

Eu não quero que vocês concordem comigo; mas se, sem qualquer querer, examinarem toda esta ideia de um Mestre que vos leva à verdade, então verão quão tolo isso é. Se perceberam um pouco do que expliquei sobre o processo do ‘Eu’, então não meditarão sobre um Mestre, quer na forma do que vocês chamam de ideal superior ou eu superior, ou como uma imagem, esculpida na vossa mente através de retratos e propaganda. Tais formas de meditação tornam-se meramente fugas sutis. Embora possam ter alguma sensação a partir disso, e maravilhar-se com isso, excitar-se com isso, descobrirão que não tem qualquer validade, mas apenas leva a uma rigidez da mente e do coração.

Meditação é constante consciência e flexibilidade, não um ajuste a qualquer padrão ou modo de conduta. Tentem estar conscientes de suas próprias idiossincrasias, fantasias, reações e desejos em vossas vidas diárias, e compreendam-nas; disso vem a realidade da satisfação. Para essa compreensão profunda, não pode haver qualquer sistema. Nenhum Mestre pode alguma vez lhes dar isso ou levá-los a isso. Se alguém afirmar que pode, ele não é um Mestre. O processo de ignorância auto ativa e seu discernimento, é único a vós mesmos. Outro não pode libertar-vos disso. Cuidado com aquele que se oferece para destruir as paredes de vossa limitação. Se vocês compreenderem isto realmente, vocês verão que mudança significativa tem lugar na vossa vida. Sendo livre do medo, do querer – que é, muitas vezes, chamado de amor, devoção – vocês não mais são explorados pelas igrejas, pelas sociedades supostamente religiosas e espirituais, pelos padres, pelos assim chamados mensageiros dos Mestres, e pelos swamis e yogis. A verdadeira meditação é o discernimento do próprio processo único de criar e ser apanhado em ignorância, e estar ciente deste processo.

Interrogante: O sistema econômico não pode mudar até que a natureza humana mude, e a natureza humana não mudará enquanto o sistema existir e encorajar a natureza humana a permanecer como está. Como, então, virá a quebra?

Krishnamurti: Você pensa que este sistema surgiu espontaneamente, de seu próprio acordo? Ele é criado pela natureza humana, como ela é chamada. A natureza humana deve primeiro mudar, e não o sistema. Um sistema pode ajudar ou dificultar, mas fundamentalmente o indivíduo deve começar a se transformar.

Certamente, se todos vocês realmente pensaram profundamente sobre toda a questão da guerra, por exemplo, este assassínio em grande escala, este assassínio em uniforme, com decorações, gritos de alegria e louvor, com trombetas e bandeiras, com bênçãos de padres; se vocês pensaram e sentiram profundamente sobre isto, e perceberam a sua crueldade e absurdos infantis, o seu mal trato apavorante ao homem, forçando-o a tornar-se uma máquina militar através dos muitos meios de exploração do nacionalismo, e assim por diante; se vocês, como indivíduos, perceberam realmente este horror, certamente vocês se recusariam a ser usados para favorecer a guerra e exploração. Vocês, como indivíduos, não seriam usados, explorados, através da propaganda; vocês, como indivíduos, perderiam todo o senso de nacionalidade.

Como mudaremos qualquer sistema explorador – econômico, religioso, ou social – a menos que comecemos com nós mesmos, a menos que vejamos profundamente a necessidade de tal mudança, não apenas por um momento durante este encontro, mas continuamente, em nossas vidas diárias?

Mas quando sente a pressão de um sistema sendo exercida por seu vizinho, por seus chefes, por seus funcionários, então torna-se muito difícil para você manter esta profunda compreensão. Portanto, a mente e o coração devem perceber a necessidade total de se libertarem de seus próprios desejos intermináveis. Como isto requer esforço individual, que não gostamos, procuramos por um sistema para nos ajudar a sair desta miséria; esperamos que um sistema nos force a comportar decentemente e inteligentemente. Isso leva a arregimentação e maior miséria, não a profunda satisfação.

A menos que sintam profundamente tudo isto, e façam um esforço para ser livres de suas limitações auto impostas, o sistema vos aprisionará, o sistema tornar-se-á um processo auto sustentador. Embora não tenha vida, será mantido por vossas energias individuais únicas. Aqui novamente existe um círculo vicioso: o desejo cria o sistema de exploração, e o sistema mantém aquele desejo. Então, o indivíduo é apanhado nesta máquina, e ele diz, “Como posso me livrar dela?”. Ele procura por outros para o levar para fora dele, mas ele será levado apenas para outra prisão, para outro sistema de exploração. Ele mesmo, através da sua ignorância e seu processo auto ativo, criou a máquina que o detém, e é apenas por meio de si mesmo, por meio de seu próprio discernimento do processo do ‘Eu’, que pode haver verdadeira liberdade e satisfação.

Interrogante: Em raros momentos, uma pessoa não está consciente de si mesma como uma entidade separada, pensante. Contudo, a maior parte do tempo, a pessoa está consciente de si mesma, e de apresentar uma resistência em relação à vida. Por favor, explique por que esta resistência existe.

Krishnamurti: Não é o preconceito uma resistência? O preconceito está tão profundamente enraizado: o preconceito de classe, nacionalidade, religioso e outras formas de crença. Tais tendências são formas do processo do ‘Eu’. Até discernirmos este processo de criar crenças, preconceitos, tendências, deve haver sempre resistência à vida. Por exemplo, se você é uma pessoa religiosa, e tem uma forte crença de que existe imortalidade, esta crença age como uma resistência à vida, e impede o próprio entendimento da imortalidade. Esta crença está continuamente fortalecendo a barreira, a resistência, porque ela tem sua fundação no desejo. Você pensa que, para si, o indivíduo, há uma continuidade, um lugar onde você estará seguro para sempre. Esta crença pode ser sutil ou grosseira, mas em essência, ela é um desejo pela continuidade pessoal. Como a grande maioria das pessoas tem esta crença, quando a realidade começa a se mostrar, elas são compelidas a rejeitá-la e, portanto, resistem, e tal resistência cria conflito, miséria, e confusão. Mas você não abandonará esta ideia de imortalidade porque ela lhe dá esperança, encorajamento, a profunda satisfação de segurança.

Temos muitos preconceitos, sutis e grosseiros, e cada indivíduo, sendo único, sustenta a sua própria ignorância através de suas atividades volitivas. Se vocês não compreenderem completamente, em toda a sua totalidade, esta ignorância auto ativa, vocês estarão constantemente criando barreiras, resistências, e portanto, aumentando a miséria. Então, devem tornar-se conscientes deste processo, e com esse discernimento vem, não o desenvolvimento de um oposto, mas a compreensão da realidade.

3 de maio de 1936

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