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Julie Desnick

ESTUDANTE AMERICANA, CENTRO EDUCACIONAL DE BROCKWOOD PARK

 

Quando eu tinha aproximadamente dezessete anos, um amigo me indicou um livro de Krishnamurti. Eu li aproximadamente três páginas e quase caí para trás. Fiquei completamente impressionada. Eu havia lido outras coisas, mas ele ia muito além. Eu nunca havia lido nada assim. Tive muita dificuldade com os ensinamentos em Broskwood Park, e acho que muitas pessoas passam pela mesma coisa ao tentar entendê-los, observando-os como um tipo de salvação, ignorando que ainda temos que viver nesse mundo do modo como somos. Hoje em dia fico tão impressionada com eles como fiquei na primeira vez que os li. Ainda são muito bonitos, claros e incomuns.

A meu ver, os ensinamentos de Krishnamurti parecem vir de alguma fonte pura. Talvez a única coisa com a qual eu poderia compará-los seria o contato com a natureza, ou as músicas de Mozart, ou um grande poema, como um poema de John Keats. Parecem fáceis. A maioria dos ensinamentos parecem ser organizados pelo intelecto. São conceitos intelectuais, ao passo que eu realmente sentia que K falava de uma fonte pura, um contato direto com algo além de teorias intelectuais.

Além da lógica de seus ensinamentos, que eu sinto ser bem racional, também acho que possuem enorme beleza, um tipo de beleza poética. Sinto que ele viveu sua vida com grande integridade e que tinha uma presença especial que se assemelhava a um silêncio intenso e a compaixão, como eu sinto quando estou no topo de uma montanha ou ouço a mais bela música. Não acho que eu tenha conhecido outro ser humano que causasse tal sensação.

Os ensinamentos de Krishnamurti são radicais, a maioria das pessoas nem se permitem absorvê-los, embora eu sinta que sejam afetadas por eles, mesmo que não admitam. Já vi pessoas que afirmam não ter qualquer apreço por ou compreensão de seus ensinamentos, que dissolvem absolutamente em sua presença. No entanto, eles são muito puros, não oferecem qualquer suporte ou conforto, e é isso que a maior parte das pessoas quer. Por outro lado, aqueles de nós que sentem compreendê-los melhor parecem ficar muito frustrados, porque vemos essa enorme beleza no que ele diz. Para mim, é como colidir com o sol, ou ver uma joia fantástica. Você quer pegá-los, mas isso não é possível, pois as coisas não funcionam assim.

 

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