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Pupul Jayakar

AUTORA E BIÓGRAFA, MUMBAI, ÍNDIA

 

PJ: Krishnaji retornou à Índia em 1947, após a guerra e uma ausência de muitos anos. Eu havia ido visitar minha mãe em janeiro de 1948. Eu era assistente social, com interesse e envolvimento na política. Na época, eu não tinha qualquer interesse por nada ligado à vida religiosa. Meu pai havia morrido alguns anos antes e minha mãe não havia conseguido superar o choque. Havia um velho amigo de meu pai, Sanjeeva Rao, que há muitos anos tinha contato com a Dra. Besant, que na época era a responsável por organizar as visitas de Krishnaji a Índia. Ele havia ido ver minha mãe, e quando cheguei me contou que levaria ela para ver Krishnaji. Quando criança, eu havia frequentado a escola teosófica para garotas em Benares. Recordo-me de ter visto Krishnaji por um minuto e de me surpreender com sua extraordinária beleza como pessoa. Como eu não tinha nada para fazer, pensei em ir com minha mãe ver essa bela pessoa. Fomos à rua Carmichael Road, onde ele estava ficando, e após pouco tempo ele apareceu. Se você o tivesse visto na época, sua presença era como uma repentina explosão, a repentina entrada de uma presença diferente de qualquer coisa já vista antes.

Ele tinha grande beleza, o que ele ainda tem, mas vendo-o pela primeira vez, o impacto foi enorme. Ele estava vestido com roupas indianas. Lembro-me que ele costumava rir bastante nessa época, e estava rindo quando chegou. Sanjeeva Rao nos apresentou, Krishnaji sentou-se e minha mãe começou a contar tudo sobre meu pai para ele. Após pouco tempo, ele voltou-se para ela e disse, “Amma, você veio à pessoa errada. Não tenho simpatia para te dar.” Foi como um golpe, eu não sabia o que ele queria dizer. Ele disse, “De qual marido você sente falta? O marido com quem você se casou, o marido que foi o pai de seus filhos, ou o homem que ele teria sido se estivesse vivo? Você sente falta da memória do homem?” Foi tudo muito confuso. Eu me senti um tanto perturbada, angustiada e um tanto brava por ele não poder dar à minha mãe o consolo que ela precisava. Então ele se virou para mim e disse, “E o que você faz?” Eu disse, “Sou assistente social.” Ele começou a rir. Novamente me senti perturbada sem compreender o motivo de sua risada. Ele disse que é como uma pessoa que leva o balde para o poço, o balde tem um buraco e quanto mais água você coloca, mais água vaza dele. Falou desse modo por um tempo. Ficamos lá por aproximadamente uma hora. Quando voltamos para casa, jurei a mim mesma que nunca mais voltaria lá, mas não consegui me manter afastada e, quando ouvi que ele daria palestras públicas na cidade, fui assisti-lo novamente. Não pude entender nenhuma palavra dita por ele, mas fui de novo. Então Sanjeeva Rao veio e me disse que Krishnaji queria que fosse a suas palestras privadas.

Comecei a frequentar e, após isso, não havia como voltar atrás.

EB: O que foi dito na época que foi decisivo no seu modo de pensar?

PJ: Desde o começo ele tinha pequenos grupos de discussão na Índia, onde doze, quinze pessoas costumavam se reunir a seu redor. Naquela época, ele costumava sentar-se toda manhã e noite, as pessoas entravam, sentavam-se a seu redor e faziam perguntas para ele. Havia enorme abertura e uma enorme compaixão que fluía dele.

Isso me tocou profundamente. Recordo-me que ele costumava falar com indivíduos, desafiá-los incansavelmente, questioná-los, até que o escutassem, até que chegassem ao ponto em que conseguiam realmente ver. Esse momento de visão, que em si é impossível descrever, transforma toda a natureza do ser. Aconteceu comigo e acho que naquele instante, a coisa mais significativa foi ouvir. Eu realmente me vi do modo que eu era naquele momento.

EB: Deve ter sido uma experiência esmagadora. Foi disso que você sentiu que não havia como voltar atrás?

PJ: Sim. E a partir de então o ensinamento começou a se desenrolar. Ele era tranquilo. Havia essa enorme efusão de energia. Ele dedicou muito tempo: encontrava-se com grupos de pessoas de manhã e à noite, tinha discussões curtas e longas, palestrava, além de várias entrevistas particulares. Krishnaji é completamente diferente em cada uma dessas áreas, e quando ele participava de entrevistas particulares, era como se tornasse literalmente um espelho que ele segurava para o outro. Não era Krishnaji, era apenas um espelho no qual a própria presença de Krishnaji fazia o outro olhar para si mesmo como realmente é. Nas discussões, uma das coisas mais interessantes para mim era ver esse homem começar no mesmo nível que todas as pessoas sentadas a seu redor. Quando ele questiona, ele questiona a si mesmo tanto quanto questiona os outros. Ele está pronto para revogar e observar o que diz. Acho que outro elemento vital era a característica de escutar manifestada por Krishnaji. As pessoas não estavam acostumadas com esse tipo de atenção. Não acho que exista no mundo. Um escutar no qual não há movimento do ser.  Um escutar que absorve, em um sentido, o todo. Era possível sentir isso. Era algo tangível.

EB: Você conseguiu vê-lo em outro contexto naqueles anos, um que não fosse o de professor, de modo mais informal?

PJ: Sim. Ele costumava sair de carro conosco. Jantava em nossa casa com frequência. Eu me recordo perfeitamente de duas ou três situações. É difícil dizer que Krishnaji tenha relacionamentos pessoais. Cada indivíduo tem uma sensação de singularidade em seu relacionamento com Krishnaji. Ele responde a cada indivíduo fornecendo aquilo que falta em cada um. Ele ria muito, e minha mãe, que era uma ótima cozinheira, costumava cozinhar especialmente para ele. Apreciava comida de boa qualidade. Apreciava excelência. Fosse através do modo que uma casa fora organizada ou da maneira como uma refeição fora preparada ou servida. Ele participava das situações de maneira muito humana.

EB: Você mencionou os relacionamentos de Krishnaji e disse que há um ponto ou talvez algo que faz com que as pessoas não sejam capazes de se relacionarem completamente com ele.

PJ: Não. Quero dizer que quando ele é o professor, sentado no palco, palestrando, não é possível se imaginar em um relacionamento com ele, porque há uma totalidade. Ele é um recipiente vazio, e ainda assim há nele total completude. Não há qualquer elemento pessoal nele. Quando ele dá uma entrevista, embora sintamos a calidez, compaixão, gentileza e amor dele, não há nada pessoal. Quando o encontramos em uma mesa de jantar ou dirigimos com ele, compartilhamos piadas, ele pergunta tudo sobre a Índia, tudo sobre nossos filhos, famílias e problemas. Ele também se preocupa com a posição da mulher na Índia. Era possível notar essa preocupação refletida em muitas de suas palestras.

EB: Você diria que o entendimento dele sobre a posição das mulheres na Índia estava aliado ao que ele entendia da extrema pobreza no país?

PJ: Não, não tinha nada a ver com a pobreza na Índia. Era sobre a posição social e econômica que a mulhar indiana tinha na época, na qual ela era dependente do marido. As leis de herança não a fizeram participante da herança do pai. As palestras de Krishnaji eram dotadas de várias seções em que ele expressava sua angústia diante da condição das mulheres na Índia.

EB: Você mencionou que ele comparou o trabalho social a um balde furado. Ele ainda tem essa visão? Não há outra ação digna de atenção total na esfera social?

PJ: Ele me perguntava com frequência, “Por que desperdiça seu tempo, Pupul?” No entanto, ele demonstrava grande interesse por minhas atividades como tecelã e artesã. Era muito estranho. Depois de eu ter desistido de tudo, o que aconteceu ano passado, ele disse, “Sabe, você trabalhou nisso ao longo de anos, vai abandonar?” Eu disse, “Por que pergunta? Está acabado.” Ele disse, “Mas você vai abandonar?” Acho que, para ele, o momento criativo é muito importante. As coisas surgem do momento criativo.

EB: Você diria que Krishnamurti teve amigos próximos na vida?

PJ: Sim. Eu poderia afirmar isso. Na verdade, ele disse uma coisa muito estranha para mim pouco depois que o conheci. Ele disse, “As pessoas geralmente me adoram, tratam-me como divindade ou me odeiam. Ser um amigo é difícil.”

EB: Krishnaji demonstrou grande interesse por uma variedade de coisas ao longo de sua vida, por automóveis, roupas. Essas seriam áreas em que ele poderia ser mais brincalhão?

PJ: Ele era brincalhão. Há um lado dele que relaxa, ri, é humano. As vezes, um indivíduo que não conhece Krishnaji pode interpretar mal sua capacidade de relaxar. Está se desenvolvendo menos do que antigamente. Não acho que esse lado de Krishnaji seja agora tão espontâneo quanto antes. Ele se tornou muito mais sério.

EB: Você disse antes que você e sua irmã estiveram com Krishnamurti em Ootacamund em 1948. Poderia nos contar sobre isso?

PJ: Bem, eu conhecia Krishnaji há apenas cinco meses. Eu estava começando a conhecê-lo, mas ele ainda era um estranho desconhecido, se posso dizer assim. Ele pediu que fossemos a Ooty. Não estava em nossos planos ir a Ooty.

EB: Poderia nos dizer primeiro onde fica Ooty?

PJ: Ootacamund, ou Ooty, é uma estação na montanha ao sul, em Nilgiris, a uma altura de cerca de dois mil e quatrocentos metros. É muito arborizada. Possui grandes avenidas, florestas de pinheiros, árvores, prados, é muito verde. Krishnaji concordou em ficar com um amigo lá por mais ou menos seis semanas. De repente recebi uma carta dele nos convidando para ir a Ooty. Nós fomos. Nandini tinha muitos problemas domésticos, tinha toda sua família, mas nós fomos. Após cerca de duas semanas, ele de repente nos perguntou se nos importávamos em ficar à noite. Pediu que fossemos a seu aposento. Nós fomos a seu aposento. Ele disse, “Aconteça o que acontecer, não tenham medo. Sob nenhuma circunstância tenham medo. Se eu desmaiar e minha boca permanecer aberta, fechem-na. Apenas sentem-se a uma distância de cerca de um metro e meio de mim. Apenas continuem me observando.”

EB: Você e sua irmã eram as únicas pessoas presentes?

PJ: Apenas nós duas. Primeiro ele começou a reclamar de uma tremenda dor no dente. Pensamos que ele estivesse com dor de dente, mas ele disse, “Não, não, não, vocês não entendem. Não, não. Sentem-se em silêncio.” E assim nos sentamos. Então ele reclamou de uma enorme dor na cabeça e na espinha. Havia um fluxo de linguagem poética vindo dele. Ele continuava gemendo e então esse fluxo de linguagem maravilhoso fluía.

EB: Essa linguagem fazia parte de seu ensinamento?

PJ: Ele costumava falar sobre natureza, folhas e pedras, e então ele dizia, “Eles estão se divertindo muito comigo. Sabe o que estão fazendo? Estão esvaziando minha mente completamente.” Eu escrevi, não me recordo das palavras exatas hoje. Ele sugeriu que havia forças trabalhando dentro de seu cérebro, limpando-o, deixando-o totalmente vazio para que pudesse receber. Isso costumava durar horas, algumas vezes durava quatro horas, cinco horas, às vezes seis horas.

EB: Em um período de noites sucessivas?

PJ: Quinze ou dezesseis noites em seguida. Havia um enorme senso de sacralidade em todo o lugar. Era novidade para nós, mas não conseguíamos deixar de sentir essa enorme sensação de estar em um templo. Não um templo comum, mas uma grande presença. Havia outra coisa muito estranha. Ele não parava de gritar o próprio nome. “Krishna foi embora, ele me deixou. Ah não, não, ele me disse para não o chamar. Não devo chamá-lo, ele ficará muito bravo. Não devo chamá-lo”. Então um dia ele disse, “Eles voltaram, você não vê? Lavados por gotas de chuva, impecáveis”. Depois de continuar por algum tempo, ele desmaiava. Então ele voltava e era Krishnaji completamente por um tempo de novo. Assim, novamente, ele começava, e as três coisas eram dor imensa, a imensa sensação de presença na sala e o grande fluxo da linguagem.

EB: Quando ele falava daquele modo, ele falava com sua própria voz?

PJ: Quando ele falava de natureza era em sua própria voz, mas quando ele chamava por Krishna era uma voz diferente. Era uma voz vazia. Totalmente vazia, como se fosse… como posso dizer?

Era uma bolha vazia que estava chamando por ele. Costumava haver momentos em que o corpo crescia subitamente. Era possível sentir uma imensa plenitude.

EB: Parecia fisicamente maior?

PJ: Quando você diz soa tão estúpido que fica difícil dizer, mas era como se de repente surgisse uma luz.

EB: Ele ficava inconsciente então?

PJ: Ele ficava inconsciente. Recordo-me muito bem de uma vez em que, já no fim, ele desmaiou. Quando desmaiou, seu rosto estava cansado de dor, mas de repente mudou. Ficou totalmente quieto. Todo vestígio de dor desapareceu. Sua face tornou-se profundamente meditativa, com uma beleza que não pode ser descrita em palavras. Nós apenas continuamos assistindo, tivemos uma sensação estranha de querer cruzar as mãos. Então, foi como se ele retornasse de seu desmaio. Ele ficou parado e então se virou para nós. Ele disse,

“Você viu aquele rosto?” Nós dissemos “sim.” Ele disse, “Buda estava aqui.”  Não sei como permanecemos equilibradas e sãs através do processo, porque nós não sabíamos onde estávamos. Ali estávamos como dois bebês na floresta, subitamente jogadas em uma situação que era incompreensível, completamente além de qualquer coisa que poderíamos ter concebido. Então um dia isso não aconteceu.

Lembro-me bem de um outro incidente que ocorreu nesse período. Nós fomos caminhar. Ele expressou que queria caminhar na floresta. Começou a chover, então pegamos o carro pois pensamos que ele se molharia e assim o levaríamos de volta. Nós seguimos pela estrada, mas não conseguimos encontrá-lo, então voltamos. Dentro de dois minutos ele entrou na sala. Ele estava completamente seco. Nós dissemos, “Krishnaji, onde você foi?” Ele disse, “Por aquela estrada.” Eu disse, “Você não estava lá. Nós fomos pela estrada e você não estava lá.” De repente ele parou, deitou-se na cama e começou a falar. Ele disse, “Eles me cobriram com folhas. Eu estava coberto por todas as folhas que caíam das árvores. Eu quase não voltei.” Até hoje não sei aonde ele foi caminhar. Ele disse que foi caminhar na estrada, mas ele não estava naquela estrada. Foi uma experiência estranha, muito estranha para nós.

EB: Neste período, ele continuou suas atividades regulares?

PJ: Ah, sim. No momento que ele apareceu com isso ele estava perfeitamente bem. Ele havia deixado a barba crescer na época. Ele costumava fazer caminhadas. Lembro-me que ele costumava ter uma grande passada na época.

EB: Ele ainda tem.

PJ: Ele frequentemente descia a montanha e as vezes nós costumávamos assisti-lo. Recordo-me de um grupo de mulheres carregando madeira sobre suas cabeças que, ao verem sua figura passando, removeram a carga de suas cabeças e prostraram-se no chão enquanto ele passava.

EB: Chegaram a pensar que deveriam chamar um médico para ele na época?

PJ: No início, sim. Dissemos, “Devemos chamar um dentista?” Então ele disse, “não, não, não, apenas sentem-se. Não tenham medo. O que quer que aconteça, não tenham medo.” Ele estava muito preocupado com a questão do medo. Teve aquele incidente que aconteceu em Ojai, quando ele disse que sentia que tudo estava sujo dentro da casa. Ele não suportava tocar nada. Portanto, ele teve que pegar um tapete e deitar-se debaixo de uma árvore. Não havia nada assim dessa vez. Ele nunca falou de nenhum tipo de poluição. Se houve um sentimento que eu notei, foi um sentimento de sacralidade. Grande sacralidade.

EB: Você acha que isso ainda acontece até hoje? Esse processo ainda continua?

PJ: Não daquele jeito. A presença que estava naquele cômodo, a presença latejante, as vezes surge.

EB: Aquelas coisas sobre as quais ele escreveu nos Cadernos de Krishnamurti…

PJ: Sim. Não é algo contínuo que acontece.

EB: Durante aquele período, ele alguma vez falou sobre os mestres ou qualquer coisa do tipo?

PJ: Com exceção daquela vez, “Eles estão aqui, eles estão aqui. Impecáveis,” acho que ele usou aquela expressão, como gotas de orvalho ou gotas de chuva, mas ele falou dos mestres. Ele costumava dizer que estavam se divertindo com ele. Que não o deixavam. Ele sentia que seu cérebro estava sendo completamente esvaziado.

EB: No Caderno, ele fala de seu cérebro sendo esculpido.

PJ: Bem, era esse tipo de coisa que acontecia, mas era uma coisa física intensa. Ninguém sabe o que mais era.

EB: Qual você diria que era a relação entre o físico, a dor disso, e o outro…

PJ: Ele costumava desmaiar quando a dor ficava muito forte.

EB: Estou tentando compreender o papel dessa dor.

PJ: Eu realmente não saberia explicar. Não era possível explicar. Lembro-me de perguntá-lo, “Você fala de Krishna como se ele fosse uma pessoa exterior. Há duas entidades?” Ele disse, “Não, não, Pupul. Não é bem assim, não é bem assim.” Ele deixou implícito que existe apenas uma entidade.

EB: Você pôde observar alguma mudança em seu ensinamento após essas experiências?

PJ: A meu ver, acho que 1948 foi um ano em que seu ensinamento foi diferente dos ensinamentos que se passaram anteriormente. Se devido a isso ou a alguma outra coisa, eu não sei. Tenho percebido que sempre que ele passa por esse tipo de experiência, há um efeito. Não um efeito sobre o ensinamento, mas os ensinamentos mostram uma nova dimensão. Eu diria que, considerando o ensinamento, eu consideraria as principais fases os anos 1948, 1960-1961 e 1972-1973.

Esses são os três períodos principais. Em 1948, ele costumava nos levar em direção ao autoconhecimento literalmente pela mão. Levava-nos de pensamento para pensamento, até que chegasse ao fim desse pensamento. Ele fazia isso, por exemplo, com o pensamento da ganância. Ele fazia isso com o aumento do medo. Ele continuava dizendo, “E então o que surge? E então o que surge?” de modo que começássemos a observar “o que é” conforme o pensamento surgia.

Também observávamos “o que deveria ser” conforme surgia no pensamento. Então, chegava a um ponto em que a pessoa estava acordada já no momento do “o que é”. Essa fase acabou em 1961. Neste ano ele disse, o processo de análise é passo a passo. Ele apagou tudo isso, e disse, “o autoconhecimento é necessário, é essencial”. Mas ele se preocupava com o todo, não com o fragmento, mas com a visão completa da coisa. Tornou-se, como eu diversas vezes disse a Krishnaji, muito mais abstrato. Foi mais pessoal em 1948. Não há relacionamento pessoal em seu ensinamento em 1972. É um ensinamento absoluto, que não possui relacionamento com o eu, enquanto em 1948 havia um relacionamento com o eu. Houve um aprofundamento, um amadurecimento e uma amplificação do ensinamento. Tornou-se universal.  Pela primeira vez ele fala então de uma vida de retidão, que é uma vida completamente livre de atividades egoístas. Ele afirma que isso é essencial, antes de qualquer outra coisa. Ele não disse isso em 1948.

EB: Assim, na verdade, há constante mudança.

PJ: Digo que há constante mudança. Houve um momento em que ele disse aos membros da fundação, “Não tenho nada a ver com as fundações. Não tenho nada a ver com instituições. Não use meu nome nas instituições, não me use como uma autoridade em qualquer sentido. Não são meus desejos que estão nas fotos. Preocupo-me apenas com o indivíduo e com despertar o autoconhecimento no indivíduo. Não me preocupo com nada mais.” Ele disse uma vez, “Meu verdadeiro dharma é esse.”

Muitos anos antes de conhecer Pupul Jayakar, Krishnamurti abordou uma questão de grande preocupação na Índia e que continua sendo um problema em todos os países do mundo, de leste a oeste, mais de sessenta anos depois. Em 1928, Krishnamurti falou sobre a Associação Indiana das Mulheres.

 

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